O presente artigo busca analisar a gama de impactos socioambientais produzidos pelos plantios industriais de eucalipto do complexo produtivo da celulose, implantado no norte do Espírito Santo em meados da década de 1970.

Até meados do século XX, a região fronteiriça entre o Espírito Santo e a Bahia –denominada “Sapê do Norte” - era predominantemente ocupada por um campesinato diversificado, que compreendia comunidades caboclas, pescadoras e Quilombolas que tiravam seu sustento do uso do meio natural. Aqui, a rica floresta atlântica, agrupando mata densa, lagoas e sapezais nos terrenos sedimentares terciários e áreas de inundação nas planícies de inundação dos rios, apresentava a fartura suficiente para suprir estas comunidades de água, peixe, carne, frutos, madeira, ervas e raízes Medicinais.A fartura estendia-se à terra: no “sertão”, a “terra era à rola”, lugar dos roçados de mandioca e criações, apropriada pelas posses que passavam de pai para filho. Esta situação favorecia o uso comum dos recursos oferecidos pelo meio e assim concretizava o território das comunidades.

A degradação socioambiental do Sapê do Norte-ES
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